Energia solar em 2026: como curtailment e juros redesenham o planejamento de usinas no Brasil
December 15, 2025
3 min

Energia solar em 2026: como curtailment e juros redesenham o planejamento de usinas no Brasil

ABSOLAR projeta desaceleração da energia solar em 2026 por curtailment, entraves de conexão na GD e juros altos. Entenda impactos e ações técnicas

O que muda para quem opera e investe em solar

  • A ABSOLAR projeta adição de 10,6 GW em 2026, abaixo de 2025 (11,4 GW) e do recorde de 2024 (15 GW).
  • O freio vem de três frentes: cortes de geração (curtailment) na centralizada, gargalos de conexão na GD e custo de capital elevado (juros, câmbio e impostos de importação).
  • Para o ONS, o curtailment já é um tema estrutural: em 2024, as restrições por razão energética somaram ~4.330 GWh (493 MWmed) e chegaram a picos horários (semi-horários) de 22.766 MWmed.

O que está por trás da desaceleração projetada para 2026

Depois de um ciclo de crescimento muito forte, a discussão de 2026 deixa de ser “quanto vamos instalar” e passa a ser “quanto conseguimos escoar, conectar e financiar sem destruir a previsibilidade do caixa”. É exatamente essa mudança de eixo que aparece nas projeções setoriais.

A ABSOLAR atribui o menor ritmo esperado principalmente a:

1) Curtailment na geração centralizada: corte “por razões alheias ao ativo”

No vocabulário do setor, curtailment é o corte de geração renovável por motivos externos ao empreendimento — ou seja, não é falha do parque, mas uma restrição operativa do sistema. 

O ponto crítico para o investidor/operador é que isso mexe diretamente no business case: você pode ter sol, disponibilidade e performance, e ainda assim não conseguir entregar energia.

2) Conexão na GD: negativa de acesso e “inversão de fluxo”

Na geração distribuída, o gargalo aparece como dificuldades de conexão: com distribuidoras alegando limitações de rede e risco de inversão de fluxo de potência. 

Na prática, isso desloca o risco: o projeto pode estar pronto (ou vendendo), mas o “go-live elétrico” fica dependente de condições de rede e critérios técnicos que variam por área/concessionária.

3) Juros e custo de capital: a conta do MW fica mais sensível

Mesmo quando o ativo é tecnicamente sólido, o custo de capital vira o fiel da balança. A ABSOLAR aponta taxa de juros elevada, volatilidade do dólar e alíquotas de importação como fatores que pressionam a expansão. 

Os números que importam para planejamento (CAPEX, O&M e receitas)

A projeção setorial ajuda a calibrar cenários (P50/P90, DSCR, merchant tail, covenants) com dados concretos:

  • Adição de capacidade (solar total): 10,6 GW (2026) vs 11,4 GW (2025) vs 15 GW (2024).
  • Capacidade acumulada estimada até fim de 2026: > 75,9 GW, sendo 51,8 GW em GD e 24,1 GW em centralizada (SIN).
  • Investimentos estimados em 2026: R$ 31,8 bi, abaixo de ~R$ 40 bi em 2025.
  • Empregos e arrecadação: 319,9 mil postos previstos e ~R$ 10,5 bi de arrecadação (vs 396,5 mil e >R$ 13 bi em 2025).

Esses números “puxam” uma consequência direta: com menos folga no CAPEX e mais incerteza de geração líquida (pós-cortes), a disciplina operacional ganha peso no valuation.

Curtailment no SIN: não é “um evento”, é um regime operacional

Para tratar curtailment do jeito certo, vale alinhar a taxonomia do ONS. O Operador classifica as restrições em três grupos: indisponibilidade externa, confiabilidade e razão energética (sobreoferta em determinados horários). 

Essa classificação importa porque muda a estratégia de mitigação:

  • “Confiabilidade” puxa reforços de rede/limites elétricos e requisitos sistêmicos;
  • “Razão energética” puxa flexibilidade (armazenamento, modulação, shifting de carga, híbridos);
  • “Indisponibilidade externa” puxa coordenação com transmissora/distribuidora e governança de intervenção.

O tamanho do tema em 2024 (visão ONS)

O ONS aponta que, em 2024, as restrições por razão energética totalizaram cerca de 4.330 GWh (493 MWmed), com pico (semi-horário) de 22.766 MWmed. 

E a sazonalidade aparece com força: há meses com restrição relevante como percentual do potencial — chegando a 16,5% em set/2024 no recorte apresentado. 

O papel de MMGD/GD na severidade das restrições

Um ponto técnico pouco discutido fora do time de operação é o efeito “curva de carga líquida”: com mais MMGD/GD atendendo parte da carga, sobra menos espaço para acomodar geração centralizada em certos horários.

No relatório, o ONS mostra que um rateio/redistribuição das restrições considerando MMGD e GD poderia reduzir, no exercício analisado, a restrição média nas fontes centralizadas de 493 MWmed para 263 MWmed e a energia restrita anual de 4.330 GWh para 2.315 GWh (redução de 46%). 

Regulação e compensação: por que isso entrou no “top 3” do setor

Quando curtailment vira recorrente, a pergunta deixa de ser só “como reduzir” e passa a ser “como alocar esse risco”.

A ABSOLAR menciona a frustração com o veto ao dispositivo que previa ressarcimento integral pelos cortes na MP 1.304 (convertida na Lei nº 15.269/2025). O tema também aparece em comunicados legislativos: ao sancionar com vetos, o governo argumentou que ampliar ressarcimentos poderia transferir custos aos consumidores. 

Mitigação na prática: 5 alavancas técnicas para reduzir exposição a cortes

Com o cenário descrito acima, 2026 tende a premiar quem trata “energia gerável” e “energia entregue” como variáveis diferentes no projeto e na operação.

1) Modelar risco de escoamento desde o feasibility

  • Cenários de restrição por submercado
  • Sensibilidade de receita por janela horária (principalmente meio do dia)
  • Cláusulas de PPA/contratos com premissas realistas de entrega líquida

2) Flexibilidade: armazenamento e híbridos deixam de ser “nice to have”

A própria ABSOLAR chama baterias de “parceiro número 1” para sustentar a expansão.
Na engenharia, isso se traduz em: shaving de picos, arbitragem intradiária e serviços ancilares (quando aplicável).

3) Performance elétrica e requisitos de rede (grid compliance)

Curtailment por confiabilidade conversa com limites elétricos. Ganham importância:

  • controle de tensão/reativo por inversores
  • qualidade de energia
  • coordenação de proteção e estudos de estabilidade

4) Excelência em O&M: quando a janela de geração encolhe, disponibilidade vale mais

Se o sistema corta parte da produção, cada hora “liberada” vira mais valiosa. Aqui entram rotinas e tecnologias para:

  • reduzir indisponibilidades forçadas (inversores, trafos elevadores, trackers, cabos/strings)
  • acelerar diagnóstico e reduzir MTTR
  • manter performance (PR, perdas, degradação)

Na Delfos, essa discussão normalmente converge para asset performance management: monitorar condição, antecipar falhas e atacar perdas antes que virem energia não entregue: especialmente em um ambiente em que a geração efetiva pode ser limitada por fatores externos.

5) Medir certo: separar corte do sistema vs indisponibilidade do ativo

Sem essa separação, o time toma decisão errada (e o financiador perde confiança). Uma boa governança de dados:

  • classifica eventos (ONS/rede/ativo)
  • reconcilia SCADA + medição + despacho
  • traduz em impacto financeiro (R$/MWh, PPA vs merchant, penalidades)

Como a Delfos ajuda a transformar “risco de sistema” em decisão operacional

Se 2026 tende a ser marcado por cortes de geração, restrições de rede e maior sensibilidade ao custo de capital, a diferença entre um ativo “bom no papel” e um ativo “bom no caixa” vai depender de visibilidade operacional e velocidade de resposta. É exatamente aqui que a Delfos entra como camada de inteligência para operação e manutenção: ao consolidar dados de SCADA/CMMS/medição, detectar anomalias com antecedência e priorizar intervenções pelo impacto em energia e receita, a Delfos ajuda a reduzir perdas controláveis (falhas, degradação, performance abaixo do esperado e MTTR): preservando a geração líquida justamente quando a janela de escoamento está mais apertada.

Na prática, enquanto o curtailment é um risco externo que o operador nem sempre consegue eliminar, o que dá para ganhar (e muito) é excelência na disponibilidade e na performance: menos paradas, melhor qualidade de geração, manutenção orientada por condição e decisões técnicas mais rápidas. 

Em um cenário de crescimento mais seletivo, isso se traduz em algo simples: mais previsibilidade, melhor cumprimento contratual e maior resiliência financeira do portfólio solar.

FAQ

O que é curtailment em usinas solares e por que isso virou tema estrutural no Brasil?

Curtailment é o corte de geração renovável por motivos externos ao empreendimento (não é falha do parque). Ele virou estrutural porque pode ocorrer mesmo com sol, disponibilidade e boa performance, reduzindo a energia efetivamente entregue e impactando diretamente o caixa do projeto.

O que a ABSOLAR projeta para a energia solar em 2026 e o que isso sinaliza para O&M?

A ABSOLAR projeta adição de 10,6 GW em 2026, abaixo de 2025 (11,4 GW) e do recorde de 2024 (15 GW). Isso sinaliza um ciclo mais seletivo, onde previsibilidade de geração líquida e disciplina operacional (disponibilidade, MTTR e performance) pesam mais no valuation e na financiabilidade.

Quais são as três frentes que mais pressionam o planejamento de usinas solares para 2026?
  • Curtailment na geração centralizada (cortes “por razões alheias ao ativo”).
  • Gargalos de conexão na GD, com negativas de acesso e discussões de “inversão de fluxo”.
  • Custo de capital elevado (juros altos, volatilidade do dólar e alíquotas de importação), aumentando a sensibilidade do MW ao financiamento.
Como o curtailment muda o business case de um ativo solar?

Ele separa, na prática, energia gerável de energia entregue. Você pode ter alta disponibilidade e PR, e ainda assim perder receita por cortes do sistema. Isso afeta premissas de P50/P90, DSCR, “merchant tail” e covenants, exigindo modelagem mais conservadora e contratos com premissas realistas de entrega líquida.

Como o ONS classifica as restrições e por que essa taxonomia importa para a mitigação?

O ONS organiza as restrições em três grupos: indisponibilidade externa, confiabilidade e razão energética (sobreoferta em certos horários). A classificação importa porque muda a estratégia:

  • Confiabilidade: reforços/limites elétricos, requisitos sistêmicos e “grid compliance”.
  • Razão energética: flexibilidade (armazenamento, modulação, shifting de carga, híbridos).
  • Indisponibilidade externa: coordenação com transmissora/distribuidora e governança de intervenções.
Quais números de 2024 mostram a dimensão do curtailment no SIN?

Em 2024, as restrições por razão energética somaram cerca de 4.330 GWh (493 MWmed) e alcançaram picos horários (semi-horários) de 22.766 MWmed. O recorte apresentado também indica sazonalidade relevante, com mês chegando a 16,5% do potencial restrito (set/2024).

Como MMGD/GD pode influenciar a severidade das restrições na geração centralizada?

Com mais MMGD/GD atendendo parte da carga, a “carga líquida” diminui e pode sobrar menos espaço para acomodar geração centralizada em determinados horários, elevando a probabilidade de restrições.

Exercício citado No cenário analisado, um rateio/redistribuição considerando MMGD e GD poderia reduzir a restrição média nas fontes centralizadas de 493 MWmed para 263 MWmed e a energia restrita anual de 4.330 GWh para 2.315 GWh (redução de 46%).

Por que conexão na GD (negativa de acesso e “inversão de fluxo”) virou risco de cronograma e receita?

Porque o projeto pode estar pronto (ou vendendo), mas o “go-live elétrico” fica condicionado a critérios técnicos e disponibilidade de rede, que variam por área/concessionária. Isso desloca o risco para conexão e pode atrasar a entrada em operação e a captura de receita.

Juros altos mudam o quê na decisão de expansão solar em 2026?

Com custo de capital elevado, volatilidade do dólar e importação pressionando o CAPEX, o MW fica mais sensível ao financiamento. Mesmo ativos tecnicamente sólidos podem ter retorno pior se a estrutura financeira perder folga, reforçando a necessidade de previsibilidade operacional e de geração líquida.

Indicador 2024 2025 2026
Adição de capacidade (solar total) 15 GW 11,4 GW 10,6 GW
Investimentos estimados ~R$ 40 bi R$ 31,8 bi
Empregos previstos 396,5 mil 319,9 mil
Arrecadação estimada > R$ 13 bi ~R$ 10,5 bi
Capacidade acumulada até fim de 2026 > 75,9 GW (51,8 GW GD + 24,1 GW centralizada)

Observação: os itens “—” não foram informados no texto base para esses anos específicos.

O que muda em O&M quando a janela de escoamento encolhe?

Disponibilidade vale mais. Com parte da produção sujeita a cortes do sistema, cada hora “liberada” vira mais valiosa. Isso aumenta o retorno de rotinas e tecnologias para:

  • reduzir indisponibilidades forçadas (inversores, trafos, trackers, cabos/strings);
  • acelerar diagnóstico e reduzir MTTR;
  • preservar performance (PR, perdas, degradação).
Quais são 5 alavancas técnicas citadas para mitigar exposição a curtailment e incerteza de entrega?
  • Modelagem de risco de escoamento no feasibility (cenários, sensibilidade por janela horária e PPAs com premissas realistas).
  • Flexibilidade com armazenamento e híbridos (shaving, arbitragem intradiária e, quando aplicável, serviços ancilares).
  • Grid compliance e performance elétrica (tensão/reativo, qualidade de energia, proteção e estudos de estabilidade).
  • Excelência em O&M para elevar disponibilidade e reduzir MTTR.
  • Medição e governança de dados para separar corte do sistema vs indisponibilidade do ativo e traduzir impacto financeiro.
Como a Delfos ajuda a transformar “risco de sistema” em decisão operacional no solar?

A Delfos atua como camada de inteligência para operação e manutenção ao consolidar dados (SCADA/CMMS/medição), detectar anomalias com antecedência e priorizar intervenções pelo impacto em energia e receita. Assim, ajuda a reduzir perdas controláveis (falhas, degradação, performance abaixo do esperado e MTTR), preservando a geração líquida quando a janela de escoamento está mais apertada.

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