O que é Tarifa Branca e como ela funciona
February 23, 2026
4 MIN

O que é Tarifa Branca e como ela funciona

Tarifa Branca e Geração Distribuída mudam a economia do kWh por horário. Com autoconsumo e bateria, o ganho pode aumentar.

A Tarifa Branca é uma modalidade de cobrança em baixa tensão em que o valor do kWh muda conforme o horário, e a ideia é incentivar você a consumir mais quando o sistema elétrico está menos carregado. Em vez de um preço único durante todo o dia, a Tarifa Branca usa postos tarifários, que normalmente se dividem em fora de ponta, intermediário e ponta, variando por distribuidora e por regras regulatórias aplicáveis.

Ponta: período diário de 3 horas consecutivas, não aplicado em sábados, domingos e feriados nacionais, com maior demanda de rede.

Intermediário: horas conjugadas à ponta, variando de 1h a 1h30 antes e depois da ponta (conforme distribuidora).

Fora de ponta: todas as horas restantes; em fins de semana e feriados, tudo é fora de ponta.

O ponto relevante para quem opera portfólio de GD (Geração Distribuída) é que a Tarifa Branca não é “desconto”, e sim uma mudança estrutural que altera o valor econômico do kWh conforme o horário, deslocando o risco para o perfil de carga e para o consumo residual do cliente no período de ponta.

Quem pode aderir e quais são as regras de mudança

A Tarifa Branca é voltada ao Grupo B (baixa tensão) e a elegibilidade pode variar por classe e regras específicas, o que exige atenção ao desenho comercial quando a base atendida inclui perfis residenciais e comerciais de pequeno porte. Do ponto de vista do gerador/integrador, a migração e as regras de retorno importam menos como “decisão individual” e mais como variável de exposição do portfólio à volatilidade por horário, já que mudanças de tarifa podem alterar o payback percebido e aumentar a pressão por suporte e renegociação.

Em vez de tratar a Tarifa Branca como escolha pontual do consumidor, o recomendado é tratá-la como cenário de risco regulatório e econômico a ser modelado por segmento, porque o efeito final depende do perfil de carga e da compra residual em ponta/intermediária.

Relação com a geração distribuída e com o SCEE

Na MMGD, o mecanismo operacional mais comum para injetar excedentes e compensar o consumo é o SCEE (Sistema de Compensação de Energia Elétrica), no qual o excedente vira crédito para abater consumo posterior, seguindo regras e prazos definidos. O Marco Legal da GD (Lei nº 14.300/2022) consolidou esse arcabouço e estabeleceu uma transição para cobrança de componentes associados ao uso da rede por novos entrantes, alterando a forma como o valor econômico da compensação deve ser projetado ao longo do tempo.

Para o dono de usina e para o integrador, o detalhe crítico é que, sob Tarifa Branca, o sistema passa a depender do perfil horário do cliente, porque o valor do kWh e a dinâmica de compensação por posto tarifário afetam o resultado econômico e podem exigir revisão de premissas comerciais, de comunicação e de empacotamento de soluções de flexibilidade.

Tarifa branca e geração distribuída: por que o horário manda

O gatilho econômico da Tarifa Branca na MMGD é a assimetria entre o perfil típico de geração fotovoltaica, concentrado no período diurno, e a elevação de preço do kWh em ponta/intermediário, frequentemente no início da noite. Quando o consumo residual do cliente permanece concentrado nos postos caros, a GD reduz principalmente o kWh fora de ponta e pode deixar compras relevantes na ponta, deteriorando o valor econômico do projeto e o payback percebido, mesmo sem qualquer alteração técnica no sistema fotovoltaico.

Isso desloca a tese de venda e de retenção: o que antes era “economia por kWh mensal” passa a depender de curva horária, de autoconsumo, de controle de carga e, em muitos casos, de armazenamento (BESS) para deslocar energia e reduzir compra na ponta.

Se você opera ou investe em MMGD, o ponto crítico não é “se a Tarifa Branca existe”, mas se ela vira padrão para um volume relevante de clientes. A CP 46/2025 coloca isso no radar ao discutir Tarifa Horária automática para unidades do Grupo B com consumo ≥ 1 MWh/mês, e ainda determina avaliação específica dos impactos para consumidores com MMGD frente ao Marco Legal.

Convencional vs branca, GD vs autoconsumo

Tarifa Convencional vs Tarifa Branca: na convencional, a precificação do kWh é plana e o risco horário é baixo, enquanto, na Tarifa Branca, o resultado do cliente passa a ser altamente sensível ao consumo residual em ponta/intermediário, o que impacta o payback, a churn e a reputação do portfólio. Em termos de gestão, a Tarifa Branca exige modelagem por segmento e maior maturidade de monitoramento e simulação.

GD (compensação) vs autoconsumo: a compensação via SCEE continua relevante, mas a tendência regulatória e econômica aumenta o valor do autoconsumo e de soluções que reduzam compra em horários caros. Para o integrador e para o dono de usina, isso abre espaço para empacotar serviços de simulação tarifária, diagnóstico de perdas e dimensionamento orientado a perfil, além de elevar o ticket com flexibilidade e BESS quando houver viabilidade.

Sem bateria pode ficar pior, com bateria pode virar vantagem

Sabe-se que a geração fotovoltaica sem o uso de baterias pode piorar sob Tarifa Branca quando sobra compra nos postos caros. Já com bateria, o resultado, pode ser invertido,  ao deslocar energia para cobrir a ponta e parte do intermediário.

Isso é importante porque mostra uma mudança de tese: não é mais “vender geração”, é vender gestão de energia no tempo.

Faça com que a sua operação seja orientada por dados

Para quem é dono de usina ou opera portfólio de MMGD, tarifa branca e geração distribuída deixam de ser um tema “do cliente” e viram tema de margem, payback, retenção e estratégia de produto. Se a Tarifa Horária ganhar escala, o mercado entra numa fase em que o valor não está apenas em gerar kWh, mas em otimizar perfil horário, autoconsumo e flexibilidade para reduzir compras na ponta, exatamente como o documento descreve ao apontar a assimetria “muito solar 10h–14h e pico 18h–21h”.

Se você é dono de usina, integrador, comercializador ou gestor de carteira, o próximo passo não é “esperar a regulação”. É quantificar o impacto e transformar isso em oferta.

A Tarifa Branca transforma a GD de “gerar energia” em gerenciar energia no tempo, e quem não medir e simular isso vai perder dinheiro.

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FAQ: dúvidas comuns sobre Tarifa Branca e GD

O que é Tarifa Branca e como ela funciona?

A Tarifa Branca é uma modalidade do Grupo B em que o preço do kWh varia por horário, dividindo o dia em fora de ponta, intermediário e ponta. A ideia é incentivar consumo quando o sistema está menos carregado — não é um “desconto”, e sim uma mudança estrutural de preço no tempo.

Quais são os postos tarifários: ponta, intermediário e fora de ponta?

Ponta é um período diário de 3 horas consecutivas (em geral sem aplicação em sábados, domingos e feriados nacionais). O intermediário fica ao redor da ponta (tipicamente antes e depois, conforme a distribuidora). Fora de ponta é o restante do dia — e em fins de semana/feriados, normalmente tudo é fora de ponta.

Tarifa Branca sempre reduz a conta?

Não. Se o consumo residual ficar concentrado no começo da noite (ponta/intermediário), a fatura pode aumentar. O resultado depende da curva horária, do autoconsumo e de quanto você consegue deslocar carga para horários mais baratos.

Por que a geração solar pode não “cobrir” a ponta na Tarifa Branca?

Porque a geração fotovoltaica é majoritariamente diurna, enquanto a ponta costuma ocorrer no início da noite. Assim, a GD tende a reduzir mais o consumo fora de ponta, mas pode sobrar compra relevante nos horários caros — afetando o payback percebido.

O que é SCEE e qual a relação dele com a Tarifa Branca?

O SCEE (Sistema de Compensação de Energia Elétrica) é o mecanismo em que excedentes viram créditos para abater consumo posterior. Sob Tarifa Branca, o ponto crítico é que o valor econômico do kWh passa a depender do perfil horário, e a dinâmica de compensação pode influenciar o resultado quando há consumo em ponta/intermediário.

O que a Lei 14.300/2022 muda para quem tem GD?

Ela estabelece o Marco Legal da GD, consolida o arcabouço do SCEE e define uma transição para cobrança de componentes ligados ao uso da rede por novos entrantes. Na prática, isso aumenta a relevância de autoconsumo, gestão de carga e modelagem do valor econômico ao longo do tempo.

Bateria (BESS) torna a Tarifa Branca automaticamente melhor?

Não automaticamente. A bateria pode deslocar energia para cobrir ponta/intermediário e reduzir compra no horário caro, mas o investimento precisa fechar com seus objetivos (economia, resiliência, backup) e com o seu perfil de consumo.

Como começar a avaliar Tarifa Branca + GD sem errar?

Comece medindo sua curva de carga, identificando o consumo em ponta/intermediário e mapeando cargas deslocáveis. O passo seguinte é simular cenários (convencional vs Tarifa Branca, com/sem flexibilidade) e testar por alguns ciclos, porque o resultado depende mais do comportamento do que da “ideia” de tarifa horária.

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