ONS corta até 30% de renováveis e aciona plano inédito na Geração Distribuída: o impacto no O&M e como mitigar perdas

O cenário operacional das energias renováveis no Brasil mudou de patamar, impondo novos desafios para investidores e equipes de O&M. Conforme reportado pelo jornal Valor Econômico, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) chegou a realizar cortes de até 30% na geração de energia solar e eólica no país para conter o forte excedente de oferta frente à baixa carga do sistema.
O ápice dessa nova realidade ocorreu em 7 de junho de 2026, quando o ONS ativou o seu Plano Emergencial de Gestão de Excedentes. Conforme destacado pelo portal ClimaInfo, a medida foi um marco histórico e inédito no setor elétrico: pela primeira vez, o corte de geração (conhecido como curtailment) foi cascateado para além da Rede Básica de transmissão, atingindo diretamente as usinas de micro e minigeração distribuída (MMGD) conectadas às redes das distribuidoras locais.
Durante a operação emergencial, realizada entre 10h e 14h, o ONS realizou o gerenciamento e a restrição de 1.000 MW de potência na GD. O corte massivo foi impulsionado pelo pico de irradiação solar simultâneo ao baixo consumo de energia típico de um fim de semana prolongado, evidenciando o gargalo de flexibilidade da rede de distribuição atual e a falta de sistemas de armazenamento por baterias em larga escala no país.
Este evento acende o alerta para um problema bilionário: o setor elétrico já acumula mais de R$ 6 bilhões em perdas devido ao curtailment , sendo que o segmento solar chegou a registrar 34,1% de restrição no terceiro trimestre de 2025.
O Gargalo regulatório e técnico no O&M
Para as equipes de Operação e Manutenção (O&M), o início dos cortes sistêmicos na geração distribuída cria um problema imediato de visibilidade. Quando a curva de geração despenca, o gestor precisa responder rapidamente se a perda foi causada por uma restrição imposta pela distribuidora ou por uma falha interna nos inversores.
No entanto, o maior desafio após a ocorrência do corte é o curto prazo burocrático e a governança dos dados. Os agentes enfrentam uma janela crítica de apenas 72 horas para contestação junto ao ONS. Sem um monitoramento automatizado, a maioria das empresas perde sistematicamente esse prazo, resultando em impactos financeiros irreversíveis.
Além do fator tempo, falhas na cadeia de dados técnicos anulam o direito ao ressarcimento:
- Gaps de vento ou irradiância no REGER: Dados climatológicos ausentes ou inconsistentes zeram o cálculo de geração frustrada pelo ONS, gerando perda total do direito de compensação no período.
- Usinas inadimplentes: A falta de envio rigoroso das medições meteorológicas desqualifica a usina para elegibilidade ao ressarcimento.
- Curvas de produtividade defasadas: Revisadas anualmente, curvas desatualizadas distorcem a geração de referência e subestimam o valor real devido ao ativo.
No modelo matemático de perdas, o isolamento do fator externo é premissa básica para a governança e auditoria do ativo:

Como a Delfos automatiza a vigilância de dados e evita perdas
Para responder à crescente complexidade do ecossistema elétrico, a Delfos expandiu sua plataforma com recursos focados na automação regulatória e garantia de ressarcimento de curtailment de ponta a ponta. A inteligência da plataforma elimina o risco de deixar receitas de compensação na mesa através de ações integradas:
- Monitoramento Contínuo no Ciclo de 72h: A plataforma realiza a coleta diária automática dos dados do ONS e cruza com os sistemas SCADA e SMF da planta. O sistema emite alertas automáticos com o prazo restante e gera o dossiê técnico de contestação pronto.
- Gestão e Reconstrução de Dados Climatológicos: O algoritmo detecta lacunas de dados antes que eles cheguem ao REGER. Em conformidade com o Ofício 61/2025/ANEEL e o Submódulo 5.13, a plataforma reconstrói as séries locais para o envio corretivo ao ONS, salvando a elegibilidade da usina.
- Dossiê de Curva de Produtividade: Apresenta um índice de aderência contínuo e a quantificação financeira para embasar a revisão anual do ONS (Submódulo 2.4), evitando que a referência de geração seja subestimada.
- Diagnóstico Retroativo de Curtailment: Para empresas que já sofreram com cortes no passado, o sistema analisa o histórico de mais de 12 meses, quantificando o valor recuperável via recontabilizações na CCEE com base na REN 1.109/2024 (válido para eventos de outubro de 2021 em diante).
A fase de gerenciar usinas de GD avaliando apenas o aplicativo nativo de monitoramento do fabricante chegou ao fim. Com a consolidação dos cortes de geração pelo ONS, a maturidade analítica e a precisão regulatória dos dados tornaram-se as únicas barreiras capazes de blindar a rentabilidade dos ativos de energia renovável.
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