ONS corta até 30% de renováveis e aciona plano inédito na Geração Distribuída: o impacto no O&M e como mitigar perdas
June 26, 2026
3 min

ONS corta até 30% de renováveis e aciona plano inédito na Geração Distribuída: o impacto no O&M e como mitigar perdas

Com cortes de até 30% em renováveis e plano inédito na MMGD, o curtailment é realidade. Saiba como a Delfos ajuda a auditar dados e mitigar perdas.

O cenário operacional das energias renováveis no Brasil mudou de patamar, impondo novos desafios para investidores e equipes de O&M. Conforme reportado pelo jornal Valor Econômico, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) chegou a realizar cortes de até 30% na geração de energia solar e eólica no país para conter o forte excedente de oferta frente à baixa carga do sistema.

O ápice dessa nova realidade ocorreu em 7 de junho de 2026, quando o ONS ativou o seu Plano Emergencial de Gestão de Excedentes. Conforme destacado pelo portal ClimaInfo, a medida foi um marco histórico e inédito no setor elétrico: pela primeira vez, o corte de geração (conhecido como curtailment) foi cascateado para além da Rede Básica de transmissão, atingindo diretamente as usinas de micro e minigeração distribuída (MMGD) conectadas às redes das distribuidoras locais.

Durante a operação emergencial, realizada entre 10h e 14h, o ONS realizou o gerenciamento e a restrição de 1.000 MW de potência na GD. O corte massivo foi impulsionado pelo pico de irradiação solar simultâneo ao baixo consumo de energia típico de um fim de semana prolongado, evidenciando o gargalo de flexibilidade da rede de distribuição atual e a falta de sistemas de armazenamento por baterias em larga escala no país.

Este evento acende o alerta para um problema bilionário: o setor elétrico já acumula mais de R$ 6 bilhões em perdas devido ao curtailment , sendo que o segmento solar chegou a registrar 34,1% de restrição no terceiro trimestre de 2025.

O Gargalo regulatório e técnico no O&M

Para as equipes de Operação e Manutenção (O&M), o início dos cortes sistêmicos na geração distribuída cria um problema imediato de visibilidade. Quando a curva de geração despenca, o gestor precisa responder rapidamente se a perda foi causada por uma restrição imposta pela distribuidora ou por uma falha interna nos inversores.

No entanto, o maior desafio após a ocorrência do corte é o curto prazo burocrático e a governança dos dados. Os agentes enfrentam uma janela crítica de apenas 72 horas para contestação junto ao ONS. Sem um monitoramento automatizado, a maioria das empresas perde sistematicamente esse prazo, resultando em impactos financeiros irreversíveis.

Além do fator tempo, falhas na cadeia de dados técnicos anulam o direito ao ressarcimento:

  • Gaps de vento ou irradiância no REGER: Dados climatológicos ausentes ou inconsistentes zeram o cálculo de geração frustrada pelo ONS, gerando perda total do direito de compensação no período.
  • Usinas inadimplentes: A falta de envio rigoroso das medições meteorológicas desqualifica a usina para elegibilidade ao ressarcimento.
  • Curvas de produtividade defasadas: Revisadas anualmente, curvas desatualizadas distorcem a geração de referência e subestimam o valor real devido ao ativo.

No modelo matemático de perdas, o isolamento do fator externo é premissa básica para a governança e auditoria do ativo:

Como a Delfos automatiza a vigilância de dados e evita perdas

Para responder à crescente complexidade do ecossistema elétrico, a Delfos expandiu sua plataforma com recursos focados na automação regulatória e garantia de ressarcimento de curtailment de ponta a ponta. A inteligência da plataforma elimina o risco de deixar receitas de compensação na mesa através de ações integradas:

  • Monitoramento Contínuo no Ciclo de 72h: A plataforma realiza a coleta diária automática dos dados do ONS e cruza com os sistemas SCADA e SMF da planta. O sistema emite alertas automáticos com o prazo restante e gera o dossiê técnico de contestação pronto.
  • Gestão e Reconstrução de Dados Climatológicos: O algoritmo detecta lacunas de dados antes que eles cheguem ao REGER. Em conformidade com o Ofício 61/2025/ANEEL e o Submódulo 5.13, a plataforma reconstrói as séries locais para o envio corretivo ao ONS, salvando a elegibilidade da usina.
  • Dossiê de Curva de Produtividade: Apresenta um índice de aderência contínuo e a quantificação financeira para embasar a revisão anual do ONS (Submódulo 2.4), evitando que a referência de geração seja subestimada.
  • Diagnóstico Retroativo de Curtailment: Para empresas que já sofreram com cortes no passado, o sistema analisa o histórico de mais de 12 meses, quantificando o valor recuperável via recontabilizações na CCEE com base na REN 1.109/2024 (válido para eventos de outubro de 2021 em diante).

A fase de gerenciar usinas de GD avaliando apenas o aplicativo nativo de monitoramento do fabricante chegou ao fim. Com a consolidação dos cortes de geração pelo ONS, a maturidade analítica e a precisão regulatória dos dados tornaram-se as únicas barreiras capazes de blindar a rentabilidade dos ativos de energia renovável.

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FAQ

O que são os cortes na geração distribuída (curtailment)?
Os cortes na geração distribuída, ou curtailment, são restrições temporárias na injeção de energia de usinas conectadas à rede de distribuição. Essa medida é acionada pelo ONS ou pelas distribuidoras locais para balancear o sistema elétrico em momentos de alto excedente de energia e consumo de carga muito baixo.
Por que o curtailment passou a afetar a micro e minigeração distribuída (MMGD)?
Devido ao crescimento acelerado da capacidade instalada de energia solar no Brasil. Em momentos de alta irradiação solar combinada com baixa demanda (como finais de semana prolongados), o sistema elétrico atinge limites operacionais de tensão, obrigando o ONS a cortar a geração diretamente na rede de distribuição para manter a segurança do sistema.
Por que o acompanhamento desses cortes importa para a operação e manutenção (O&M)?
Sem o acompanhamento de dados preciso, os eventos de corte externo reduzem artificialmente o Performance Ratio (PR) das usinas e podem mascarar falhas internas crônicas. Além disso, as empresas enfrentam uma janela regulatória extremamente curta de apenas 72 horas para contestar os dados junto ao ONS e garantir o direito de ressarcimento pela energia frustrada.
Quais falhas técnicas podem anular o direito ao ressarcimento por corte de energia?
O direito ao ressarcimento financeiro pode ser totalmente perdido em três cenários críticos de dados:
  • Gaps de dados meteorológicos: Ausência ou falhas de vento/irradiância no sistema REGER do ONS zeram o cálculo de geração frustrada.
  • Inadimplência de medições: Usinas que não enviam os dados climáticos rigorosamente perdem a elegibilidade.
  • Curva de produtividade defasada: Curvas anuais desatualizadas distorcem a referência e reduzem o valor da compensação devido ao ativo.
Como a inteligência de dados ajuda a diferenciar restrição de rede de perdas internas?
A análise centralizada e preditiva permite isolar cada fator de perda com precisão matemática através da fórmula de governança de ativos:

Geração Líquida Real = Geração Esperada − (Perdas Técnicas + Restrição Externa)

Veja abaixo a tabela de comparação de como os dados são tratados em uma operação comum versus uma gestão automatizada:
Desafio Operacional Monitoramento Convencional (Manual) Gestão Automatizada Delfos
Janela de 72h do ONS Perda constante do prazo por falta de alertas em tempo real. Coleta diária automatizada de dados com avisos de prazos restantes e dossiê pronto.
Gaps de Dados no REGER Gaps geram perda total de ressarcimento para o período afetado. Detecção prévia e reconstrução automática de séries locais conforme regras da ANEEL.
Anomalias Ocultas Cortes na rede mascaram sujeira em módulos ou subperformance de strings. Isolamento completo através de IA, comparando a Geração Esperada ideal com o comportamento real.
Cortes Retroativos Incapaz de auditar ou recuperar perdas financeiras passadas. Análise histórica retroativa (12+ meses) para recuperação via recontabilização CCEE.
Sobre a autora
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Thayna Casasola

Analista de Marketing e Conteúdo na Delfos

Thayna Casasola atua na criação e gerenciamento de conteúdo estratégico para a Delfos, traduzindo dados complexos de inteligência operacional e manutenção preditiva em insights valiosos para o mercado de energia renovável da América Latina.

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